A Casa do Povo abriga e incentiva práticas artísticas focadas na experimentação e no processo. Ela assume um compromisso com a alteridade radical, abrigando grupos muito diversos para além da comunidade judaica que a fundou: imigrantes de nacionalidades variadas ali encontram um lugar onde é possível conviver, trocar experiências e criar juntos; corpos de todos tipos, idades e condições financeiras são bem vindos em atividades regulares organizadas na Casa por grupos como Yoga para todes, Boxe Autônomo e Clube de Xadrez Três Rios, dentre outros.
Para além de uma ampla programação artística que ocupa o espaço de forma efêmera e envolve exposições, lançamentos de livros e apresentações de teatro, música e dança, durante o ano todo há coletivos que habitam a Casa e ali desenvolvem suas atividades que vão da costura às artes gráficas, o canto, a alimentação, a luta pelo direito à cidade etc. Ali, não existe hierarquia. Práticas, associações do bairro e propostas artísticas fora dos padrões são igualmente bem vindas. A garantia da boa convivência entre esses grupos, chamados de Povo da Casa, se dá através de uma lista de combinados que é constantemente revista e adaptada a novos contextos. Essa flexibilidade também se refere a adaptações às necessidades de cada projeto, numa lógica reversa, onde não é o artista que deve se enquadrar ao espaço, mas sim a instituição que se adequa à proposta artística.
A partir de 2013, o programa de uso dos espaços foi repensado, visando modos participativos e horizontais de convivência, em contraposição ao programa padrão de museus contemporâneos que conta com restaurantes, jardins contemplativos e livrarias. Assim, a Casa do Povo passou a ter uma cozinha comunitária, uma horta colaborativa e uma biblioteca livre que ocupa as escadas da entrada e funciona como um espaço de troca e circulação de livros. Tudo isso permeado por obras comissionadas criadas especialmente para os espaços de circulação e salas, de artistas como Renata Lucas, Rodrigo Andrade e Yael Bartana.
Para ter organicidade em seus processos, a gestão do centro cultural tem como meta atuar com a unidade mínima de institucionalização necessária para seu funcionamento. Isso vem junto de um desejo de que a maior parte de sua programação seja proposta pela própria comunidade, o que vem se consolidando ano após ano.
Para a sua viabilização do ponto de vista econômico, adotam-se múltiplas estratégias de financiamento, que vão desde leis de incentivo à cultura e editais nacionais e internacionais, até doações regulares de associados, passando pelo apoio solidário dos grupos que ocupam o espaço e ações que, além de financiar, fomentam a sensação de pertencimento, como o programa de amigos e o evento anual de arrecadação.