A estética, como elemento de identidade, é uma forma de resistência e pertencimento, seja de uma pessoa ou de um grupo. É também uma forma eficaz de quebrar estereótipos. O modo como as pessoas se apresentam visualmente, seu modo de vestir, estilo de vida e escolhas estéticas muitas vezes refletem suas identidades individuais e coletivas.
Certas estéticas estão ligadas a expressões culturais que foram historicamente marginalizadas ou reprimidas. Ao abraçar e exibir essas estéticas, as pessoas podem reivindicar sua identidade cultural, resistir à assimilação e desafiar narrativas que tentam apagar ou suprimir suas expressões culturais.
Movimentos de cultura, em termos simbólicos, dinamizam a sociedade, com novas visões, fomentando espaços mais tolerantes aos diversos modos de existir de cada pessoa, de cada grupo. Nesse sentido, a criatividade contida nas manifestações culturais pode gerar inovações e alimentar nossa percepção de como podemos melhorar enquanto sociedade.
“Essa juventude negra e periférica é vista como alvo da polícia militar pelo fato de ter os códigos sociais do movimento funk. Hoje, um garoto tranquilamente vai tomar um enquadro pelo fato de ser preto, usar uma camisa de time e ter um Juliette no rosto.”Renata Prado, dançarina, pedagoga e produtora cultural
"A cidade só é a potência que é, por causa da cultura, dos movimentos de cultura. É o hip hop, é o reggae, é o punk, é todo mundo junto para fazer essa luta e poder gerar essa transformação.”Bia Sankofa, DJ e articuladora cultural
“Pra mim, o maior ícone da nova estética é a favela. A gente preta foi chamada pejorativamente maloqueira, mas que a gente resgata isso, essa maneira bem maloqueira. maloca se faz como? No tudo junto e misturado. É uma vingança pelo prazer. A gente tem prazer em estar bonita. A gente tem prazer em produzir essa nova estética”.Neon Cunha, publicitária, diretora de arte e ativista
Abílio Ferreira, escritor, historiador e pesquisador, sobre os bailes de soul paulistanos nos anos 1970


