Conseguir espaço para desenvolver uma iniciativa cultural em uma grande cidade como São Paulo, por exemplo, pode ser uma tarefa desafiadora devido à sua densidade populacional e à alta demanda por imóveis e espaços comerciais. Como complicadores desse cenário a especulação imobiliária e práticas gentrificadoras afastam de regiões centrais determinados grupos sociais, direcionando-os para localidades mais distantes e com menos acesso aos recursos da cidade.
Espaços culturais formais, como museus, bibliotecas e escolas, nem sempre se dispõem ou conseguem acolher toda efervescência cultural de um território. Muitas vezes na ausência desses espaços institucionais, coletivos culturais têm elaborado ações de ocupação de locais abandonados à deterioração e gerado transformações no território, conseguindo, por meio de gestão coletiva, partir de uma situação de informalidade para a reivindicação, o reconhecimento e a conquista de recursos autogeridos.
“A Casa Amarela esteve abandonada por 13 anos, o pessoal entrava na casa para fazer diversos tipos de atividades, rolava muita violência e quando aconteceu a ocupação teve preconceito do bairro, porque eles não entendiam quem nós éramos. O primeiro desafio foi fazer com que as pessoas entendessem que o espaço público deveria ser utilizado da forma correta.”Wanessa Sabbath, atriz e fundadora da Casa Amarela Quilombo Afroguarany
“A gente se reuniu junto com outros artistas da região para fazer um mapeamento dos espaços que poderiam ser ocupados, e a partir daí fizemos as ocupações que fundaram a Casa de Cultura Hip Hop de Perus e a Ocupação Artística Canhoba.”Thalita Duarte, atriz e produtora do Grupo Pandora de Teatro
“A gente ocupou um prédio que estava bem degradado, totalmente largado. A galera entrava aqui e deixava lixo, entrava para usar droga. A gente entrou no sábado já fazendo uma revitalização, no domingo realizamos um evento com vários artistas da quebrada. No processo de ocupação, trazer arte e cultura foi ressignificar o entorno, porque as pessoas tinham medo de passar nessa praça de noite.”Cleiton Ferreira de Souza (Fofão), Comunidade Cultural Quilombaque
Cleiton Cleiton Ferreira de Souza e Raul Silva Costa, integrantes da Comunidade Cultural Quilombaque.
Wanessa Sabbath, atriz e fundadora da Casa Amarela Quilombo Afroguarany, na roda de conversa Cultura Transformação, em 3 de dezembro de 2023.








