O apagamento histórico é a eliminação, ocultação ou minimização de eventos, fatos, culturas, pessoas ou grupos sociais da história oficial. Este processo pode ocorrer intencionalmente ou por negligência, a partir de práticas que enfatizam certos eventos, personagens ou pontos de vista e marginalizam ou ignoram outros, apagando experiências importantes e contribuições significativas de diversos grupos para a sociedade. Isso acarreta uma distorção na compreensão da história na percepção das gerações futuras sobre o passado.

Nesse cenário, nos perguntamos: de que maneira a identificação e o combate aos apagamentos históricos contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa? O reconhecimento e a preservação de uma história mais abrangente e precisa são fundamentais para uma compreensão mais complexa e inclusiva do mundo em que vivemos. É possível reconhecer os apagamentos históricos que ocorreram ao longo do tempo e os grupos afetados por eles através de expressões culturais que constroem espaços de liberdade e que garantem que diferentes grupos sejam representados. Cultura não é algo que se absorve passivamente, ela vai sendo produzida e ampliando a visão de mundo, pois quanto mais sujeitos criadores atuam, mais a história se pluraliza.

  • “A gente está o tempo todo tentando recuperar a nossa história.”
    Bia Sankofa, DJ e articuladora cultural
  • “Os Queixadas foram os operários da fábrica de cimento de Perus que fizeram a maior greve da história do Brasil, em plena ditadura militar. Eles nos inspiram até hoje a continuar lutando por uma condição melhor aqui no nosso bairro.”
    Thalita Duarte, atriz e produtora do Grupo Pandora de Teatro
  • “O Piques é um local que explica a presença da população negra na cidade. Porque aqui ocorriam leilões e pessoas escravizadas fugiam daqui e se embrenhavam nas matas à margem do rio Saracura. Então, provavelmente, essas fugas acabam explicando o Quilombo Saracura.”
    Abílio Ferreira, escritor, historiador e pesquisador
  • "Se você chegar numa quebrada e quiser ver coisa ruim, vai ver de monte, mas se tiver sensibilidade e delicadeza no olhar, vai ver que está acontecendo um movimento positivo, uma ocupação, uma atividade artística, como na Casa do Hip Hop ou na Ocupação Cultural Canhoba. É como Milton Santos falava, a gente precisa pensar na potencialidade e na capacidade desses territórios no processo de transformação."
    Raul Silva Costa, Comunidade Cultural Quilombaque