Como indivíduos e comunidades podem se envolver ativamente na identificação e superação dos apagamentos históricos que afetam grupos invisibilizados?
As iniciativas culturais podem contribuir em processos de reconhecimento e conquista de direitos e colocar em evidência histórias invisibilizadas ao longo do tempo. Frequentemente ligadas às culturas populares, essas iniciativas pesquisam e difundem personagens, narrativas e estéticas marginalizadas, promovendo, assim, a diversidade e ajudando a preservar e destacar aspectos da história e da cultura esquecidos ou apagados intencionalmente.
Por meio de projetos e ações culturais é possível restaurar a memória de territórios e populações, garantindo que eventos históricos, tradições, ritos e outras experiências humanas sejam documentados e compartilhados, podendo, deste modo, influenciar a percepção pública e estimular debates e ações para a conquista de equidade social.
“Para entendermos de fato alguns períodos da história do Brasil, é preciso recorrer a expressões culturais.”Jaqueline Santos, doutora em antropologia, pesquisadora dos temas de juventude, relações étnico-raciais e cultura hip hop.
"Nosso museu territorial se chama Tekoa Jopo’í. Em guarani Tekoa significa território e Jopo’í, na lógica econômica desses povos, significa reciprocidade, o princípio de que "quanto mais você doa, mais prestígio você tem”. Nosso acervo são os vários momentos da história dessa região, narrados pelo olhar da resistência por meio de trilhas educativas. Essa narrativa não está no livro didático, porque não fomos nós que escrevemos. É uma luta de resistência, por isso a gente usa o termo turismo de resistência."Raul Silva Costa, Comunidade Cultural Quilombaque
“Nosso trabalho artístico está relacionado à memória do território. Estreamos em 2013 com um espetáculo chamado Relicário de Concreto, que contava as memórias dos trabalhadores da fábrica de cimento de Perus, dos anos 1960, fazendo um paralelo com os dias de hoje. Em 2018 montamos o espetáculo Comum, sobre a história da vala clandestina do cemitério de Perus, um dos maiores crimes da ditadura militar e que só foi descoberta em 1990. Passados 30 anos, a gente não podia deixar de falar do assunto, ainda mais porque muitas pessoas novas do bairro não conheciam essa história.”Thalita Duarte, atriz e produtora do Grupo Pandora de Teatro
Renata Motta, do Museu da Língua Portuguesa, sobre a relação dos museus com as comunidades, na roda de conversa Cultura Transformação, realizada em 3 de dezembro de 2023
Renata Motta, do Museu da Língua Portuguesa, sobre o Festival Cultura e Pop Rua, na roda de conversa Cultura Transformação, realizada em 3 de dezembro de 2023


